Recordações: a visita e os sobrinhos

canudinhosTempo de férias, de convivência com sobrinhos, agora adultos, estimulou boas recordações de travessuras na infância. Entre as muitas lembranças essa teve destaque.

A família dos anjinhos, então com cinco e sete anos, os preparou para uma esperada visita de parentes que viviam em uma cidade do interior. A mãe fez várias recomendações para que causassem boa impressão. Foram orientados a cumprimentarem os tios, educadamente, e não atrapalharem a conversa dos adultos. Deveriam permanecer no quarto brincando, sem barulho ou brigas, e só  retornarem à sala quando fossem chamados para as despedidas. Tudo entendido? O “sim” em coro da dupla indicava compreensão plena de como deveriam se comportar.

Foram impecáveis nos cumprimentos e no pedido de licença para se retirarem para o quarto. Na sala a conversa dos adultos seguia amistosa, destacando a diferença da vida no interior e na capital. Os visitantes aproveitaram para elogiar os pais pela educação das crianças, ressaltando que não era comum crianças tão comportadas e silenciosas na cidade. A mãe surpresa com o comportamento dos pequenos, torcia para que continuassem assim. Mas, nem tudo é o que parece ser.

Os meninos encontraram um pacote de canudinhos de refresco guardado no armário no quarto e durante um bom tempo os foram juntando e colocando-os um dentro do outro. Foram formando um enorme “canudão”. Com destreza, passaram a manuseá-lo e tiveram a brilhante ideia de conduzi-lo da porta do quarto, no final do corredor, até o sofá, posicionado na sala de costas para eles. O objetivo era estimular o pescoço dos tios que estavam sentados no sofá e provocar-lhes cócegas. Para conseguir realizar esse intento era necessário muita concentração e habilidade no manuseio.

Quando o tio ou tia percebia algo raspando o pescoço,rapidamente recolhiam o canudão. Riam baixinho, divertindo-se muito com a brincadeira. Ajudavam-se mutuamente. Um se arrastava até atrás do sofá e levantava o canudão, o outro, na retaguarda, movimentava-o. Quando a vítima buscava com a mão o incômodo no pescoço, recolhiam o canudão, rapidamente, e o colocavam no chão.

A mãe ocupada com as visitas, conversando, servindo o café e biscoitos demorou  para perceber a traquinagem. Ao recolher as xícaras, quando ela se posicionou de frente para o corredor viu o canudão atrás do sofá e as risadas contidas dos garotos. Pediu licença às visitas e dirigiu-se ao quarto dos garotos. Apesar de terem sido ágeis no recolhimento do canudão e ida para o quarto  não tiveram tempo para esconder a prova do crime.

– O que vocês estão aprontando?

– Nada, mãe…responderam de forma angelical.

Furiosa, destruiu em segundos o canudão e lhes deu, de brinde. uns bons pescoções. Os garotos foram salvos pelas visitas, que chamaram a mãe, informando a necessidade da partida devido ao adiantado da hora.

Com suas auréolas brilhantes e polidas os anjinhos acompanharam a mãe até a sala, se despediram educadamente dos tios, recebendo fartos elogios, pelo bom comportamento. Os tios partiram sem nunca imaginar o que os educados sobrinhos aprontaram por trás de suas costas e pescoços.

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2 comments

  1. Consuelo Fernandez disse:

    Pensei ter registrado meu comentário, mas não consegui encontrá-lo. Esse conto mexeu com meu coração. Parece que estou vendo os anjinhos, Adriano e Rodrigo, fazerem mais uma das suas. Seus contos me fazem muito bem. Obrigada por eles.

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