Costelinha

O jovem cão, de porte médio, pelo curto, dorso preto, peito amarelo, focinho dividido entre as duas cores, apareceu na praia e fez dela seu lar. Seguia os humanos com cães na coleira, sem latir para os semelhantes, e aguardava, pacientemente, que lhe oferecessem comida. Em dias difíceis deixava a praia para encontrar cumbucas de ração e água depositadas na proximidade das portas de algumas lojas. Observava cães com donos e a atenção que recebiam, e decidiu encontrar um dono para chamar de seu. » Read more

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O desaparecimento do anarquista

Sua vida era nômade. Embarcava em diferentes navios, desaparecia da sua cidade durante o tempo da viagem. Viver para ele era não ter regras, amarras, poder gozar da liberdade em sentir e agir. Havia, no entanto, um porto seguro, os braços de uma mulher que despertara sua paixão e que aceitava esse estilo de bem viver. Ela o compreendia, como ninguém. Admirava e amava aquele belo homem e confiava no seu afeto. » Read more

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Resguardo

Final da década de 60, rosto sem maquiagem, voz doce e divertida, olhos vivos e um lindo e marcante sorriso. Roupas longas e coloridas jogadas sobre o belo corpo e rasteririnhas exibindo os pés. São essas minhas lembranças dela da época de universidade. Dele, a recordação é de uma voz potente, grave, que abria caminho, anunciando sua chegada. Educado pelas tias, sua aparência exibia o contraste entre a formalidade exibida pela roupa e o humor cáustico e transgressor. Entre eles, a forte amizade ampliou o convívio para fora do campus. » Read more

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Cumplicidade

Ao nascer quem não respira, morre.O antigo equilíbrio é substituído por sensações de frio, fome e dor. Chorar é a única arma para pedir ajuda e conseguir atenção. A curiosidade orienta as descobertas. Rostos aparecem e desaparecem, tal como o peito, que mobiliza o sugar e a deliciosa sensação do leitinho quente escorrendo pela boca e garganta. Como é bom sentir braços que embalam, aquecem, oscilando em cadenciado ir e vir. Quem não é único na jornada, precisa aprender esperar a vez da atenção e se fazer notar. » Read more

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Vida em comunidade

Há algum tempo, morar em casa, de uma rua determinada, propiciava a convivência entre os vizinhos, que estimulava o estreitamento de relações. Brincadeiras de rua entre as crianças, adultos com cadeiras nas calçadas e longas conversas no final da tarde. Compartilhava-se os dramas da vida, a alegria das festas, a solidariedade na doença e o luto na morte. O pertencimento era um sentimento comum nas ruas da cidade. Cada morador era parte de uma comunidade, partícipe de uma grande família. As desavenças eram mediadas sem que os elos afetivos fossem rompidos. A moradia era ocupada, por décadas, pela mesma família. A permanência no mesmo local, era estimada em gerações e gerava nas pessoas a consciência da importância de um bom convívio. » Read more

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